Dívidas Perigosas: Crédito Renovável e Descoberto Bancário
Nem todas as dívidas pesam da mesma forma. O crédito renovável e o descoberto bancário têm das taxas de juro mais altas do mercado, e são também os mais fáceis de usar sem perceber o custo real.
Crédito renovável (cartão de crédito)
Como já viste no artigo sobre cartões de crédito, pagar apenas o valor mínimo da fatura deixa o resto do saldo em dívida a acumular juros, muitas vezes com TAEG entre 15% e 20%. É um crédito "renovável" porque o valor em dívida pode voltar a subir a qualquer momento, sem prestações fixas nem prazo definido.
📌 Exemplo Prático
Se deves 1.000€ no cartão de crédito a uma TAEG de 18% e pagas sempre o mínimo (cerca de 3% do saldo), podes demorar mais de 5 anos a liquidar a dívida e pagar mais de 400€ só em juros.
Descoberto bancário
O descoberto acontece quando gastas mais do que tens disponível na conta à ordem e o banco "empresta" automaticamente esse valor. É extremamente conveniente, e por isso extremamente perigoso: costuma ter juros acima de 15% ao ano, além de comissões fixas por utilização.
Usar o descoberto ocasionalmente, para um imprevisto de poucos dias, não é grave. O problema é quando se torna recorrente e passa a fazer parte do orçamento mensal: sinal de que as despesas fixas estão a ultrapassar o rendimento.
O ciclo de pagar dívida com dívida
Contratas um crédito pessoal para liquidar o cartão de crédito, depois voltas a usar o cartão porque "já não tens aquela dívida", e o ciclo recomeça com mais uma prestação mensal.
Se estás a pedir um novo crédito só para pagar outro, sem reduzires despesas nem aumentares rendimento, estás a adiar o problema, não a resolvê-lo. Lê mais sobre isto no artigo de crédito fácil e sobre-endividamento.